quinta-feira, 7 de junho de 2012
DOS ESTILHAÇOS
Lastros da casa antiga,
ferrugem, repletas de
ferrugem
estão todas as vias.
Obnubilações da
consciência
orfão subnegado, demônio
do ar.
Arfando à procura do nome
perdido
da face perdida na ilha
submersa.
a volta que deste
a si mesmo impuseste
naufrágios,
abrindo portas e janelas
para abutres raivosos
que rondam teu fígado
exposto
teu coração exposto,
teus sonhos decompostos
por teus próprios amigos.
Restavam apenas três
pormenores
desintegrados no tempo de
um soluço,
fugazes como a alacridade
de um sorriso:
Três descobertos e eram gêmeos
unidos pela violência de
destruições incontáveis
e pelas mãos de uma mesma mulher,
tão puta quanto a mãe.
O primeiro, reificado, eu
mesmo.
O segundo ensaia risos, disfarça.
O terceiro ainda tritura entranhas
velado pela lua e incensos
de canela.
O que ainda há de ser
dito e transfigurado no poema
quando já nem mais
podemos ficar
nus em nossas casas?
quarta-feira, 23 de maio de 2012
quarta-feira, 9 de maio de 2012
sábado, 7 de abril de 2012
sexta-feira, 6 de abril de 2012
sábado, 31 de março de 2012
O MENINO-MULA
para Lucas Santana*
E agora, como se limpa esta mancha de sangue das roupas, este cheiro peculiar da mistura de sêmen, bosta e urina? Alvejante e indiferença? Quais são as chaves para salvar o menino que agora você prende, usa e estupra? Quais são as chaves para salvar sua corja depois que tudo pender na forca? Depois que o trem passar por cima de sua roupa de malha fina que também nos foi roubada? Que gosto tem a carne podre entre os dentes, que som tem o gemido dos doentes? Nosso destino trágico e sinistro, nossas palavras soltas e dementes. Ato de amor aqui é manter o lobby, roubar os pobres, arrancar-lhe os ossos, enfeitar clavículas em mesas regadas a vinho e algumas cláusulas. Que gosto tem minha porra em sua boca? Sangue e fotografia esparramados numa cova fria, já posso mijar na sua cara? O teu Deus vomita plantas mortas e maçãs ressecadas, castanhas do Pará engasgadas. Há papéis higiênicos importados para limpar sua bunda? Quantos nomes estariam gravados em sua mesa, quantos se favoreceram com a chuva? Política de cu é rola, nem tudo acaba em pizza. Qual será a sobremesa?
* para ler ouvindo o deus que devasta mas também cura.
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