Tecnologia do Blogger.

quinta-feira, 17 de março de 2011

DAS SINUSITES [ou dentes sensíveis]


                                                                         para Patrícia Simplício
Rompe sensação falsa
trincando a madeira

E os ossos do crânio
Que recriam o hiato

Até chegar à testa
sobe às narinas
A laceração dos sentidos
na agulha

Irrompe
E é quase desmaio
Mas é quase um segundo

Rompe sensação breve
de página em branco
estalando os dedos
sobre a taça

Há na colher pedaços de ameixa
creme em minha boca

Tudo é simples, renovado no espírito:
Estou numa sorveteria.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

DA FOTOGRAFIA

Dentro do liquidificador,
na solidão da dona de casa
que espera suas crianças mortas
para o almoço cenográfico,
misturam-se coisas do sangue
que adormeciam em jarros de barro
pra memória da lembrança
abestalhada
dos olhos.

sábado, 29 de janeiro de 2011

DOS SINTOMAS

Celulares pós-pagos pensando economias estratégicas,
Maiúsculas sintaxes amarradas em infalíveis doses de alegria,
Tento meter tudo na agenda para me lembrar dos custos
de toda área de transferência de minhas revisões,
Requento o perdão no microondas e meto na boca  
junto com o volume dos seios da protagonista,
Arroto uma cerveja no espaço da narração publicitária
entre as rolhas da garrafa de gênero aberto.

Na delicadeza do design do apartamento,
traíras voadoras cercam o lustre.

Recorto seminaristas aportados nos congressos de pesca
cantando Gonzaguinha e outras canções de esperança
a favor da construção de mais uma escada-rolante
que nos leve para fora daqui.

sábado, 15 de janeiro de 2011

DA MEMÓRIA

Pela árida esteira que desce à Parnaíba
Antes que eu já não lembre a cor dos olhos dela
Invento meus cavalos amanhecidos
Dentro da casa de sombras

Onde imaginadas estrelas
Destelham a nascente do quarto
E as crianças de outrora
Falseiam a memória e os perigos:

Serpentes na cabeceira do rio,
Insetos debaixo do lençol,
Os olhos do tio e da cascavel
Que espreitam qualquer sinal de fumaça.

No tempo em que se formam as pedras,
Em preces antes do sono,
Queimam os flamboiãs de fogo
Na praça dos meus afetos.

                                       
No período em que aconteciam as performances da MOLA, acabei passando por vários grupos de fanfarra que desfilavam na rua Chile. Fuçando meu laptop reencontrei esta imagem. 

Translate

Seguidores

  © Blogger templates The Professional Template by Ourblogtemplates.com 2008

Back to TOP