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domingo, 28 de novembro de 2010

DOS MARCIANOS

De minha geladeira abro e penso uma maçã ao meio
A cidade é madrepérola com a ossatura minada por cantos escuros,
A cidade se ilumina ancorada em travestis e em planos de saúde,
Melhor assim, nada funciona:
Me disse que era triste meu amigo mais feliz.
Grande sertão Win Wenders...
Até que os mares subam e a gente flutue
Em barcos de garrafa pet.
Dentro de minha geladeira
Enquanto penso se como ou não a maçã
Iluminada pela luz fria
Se no escuro, como seria?
E se ao invés de barcos fossem cavalos
Atravessando a faixa de pedestres
Com uma criança em cada mão
O olho que não está no meio mas nas costas
Como os cegos por seus cães
Atropelados.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

DA CLAREZA


Não aprendi a magia das respostas lúcidas, tão claras seriam minhas palavras pra dizer o simples. Como dizer daquela tarde e do assombro do que aconteceria? A mesma ausência que demove o que dentro sopra e move? Só o amor que não oscila?


Tendo parte de tua vida inventado, me despeço dos cadernos. E a rima que seríamos é de  silêncio, pra que o sentido escorra e não seja eu nem tu, nem nós nem eles, e seja só, só, uma palavra que eu não disse.

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